quinta-feira, agosto 31, 2006

Play for Today

Comprei! Comprei! Comprei (anteontem) o CD do Staring At The Sea, do The Cure!
Desejava há tempos esta compilação dos singles feitos entre 1979 e 1985 por essa grande banda de rock alternativo britânico.
Ainda compro CDs originais de bandas das quais eu realmente goste. Com Cure não poderia ser diferente, ainda mais porque esse álbum abrange canções das tendências musicais mais distintas deles: o punk existencialista (Killing An Arab), canções inocentes sobre fracassos amorosos (10:15 Saturday Night, Boys Don't Cry), a ambientação soturna (A Forest, Play For Today), a melancolia da fase gótica (Charlotte Sometimes, The Hanging Garden), um período serelepe e 'quase gay' (The Walk, The Lovecats) e o início da guinada para o pop alternativo (In Between Days, Close To Me).
Robert Smith foi uma das mentes mais criativas do rock nos anos 80. O The Cure, liderado por ele, compôs, ao lado do Joy Division e de The Smiths, a "santíssima trindade do post-punk" (desculpe para quem gosta de Siouxsie, Bauhaus, Echo and the Bunnymen, Gang of Four, etc, mas as três que eu citei são as mais aclamadas, influentes e importantes). Até hoje a influência da banda permanece explícita, tanto entre indies quanto entre góticos (duas tribos musicais que, em comum, têm o amor ao Cure).
E, para encerrar, um trecho da paranóia sombria de A Forest - "Suddenly I stop, but I know it's too late... I'm lost in a forest, all alone... The girl was never there, it's always the same. I'm running towards nothing, again and again and again..."

terça-feira, agosto 29, 2006

Dead Souls

Lembram daquela semana que eu dormi pouquíssimas horas diárias? Se não, bem, é mais ou menos o seguinte - eu queria testar os limites do meu corpo e mente.
Resolvi voltar com essa idéia antes de ontem, após falar sobre ela com uma amiga pelo MSN. Entre domingo e segunda, dormi entre das 2h30 às 5h30. De ontem para hoje, meu descanso foi das 1h15 às 5h15. Algumas notas a respeito disso:
I - Estou mais elétrico. É legal a sensação, me sinto mais poderoso - e maluco.
II - Estou tentando, sobriamente, sentir um pouco do que doidos varridos/libertinos/ébrios/beatniks/marginais sentem - a liberdade, a espontaneidade, um novo jeito de viver.
III - A cafeína é a droga que me move. Café, capuccino, Coca-Cola, chocolate... tudo vale para me manter acordado.
IV - O mais legal de tudo são os "desmaios" - a qualquer hora do dia, do nada, eu apago. É sério. Hoje, ocorreram quatro - um na aula de Química (foi o mais 'tranqüilo' e rápido), dois na aula de Matemática (nesses eu me assustei - acordava do nada completamente fora de órbita, e com o olho esbugalhado) e o último na aula do cursinho de Inglês (o professor notou, mas também, nesse, ao contrário dos outros, realmente parecia ter 'entrado em coma'). Pretendo ter mais desmaios amanhã, e descrevê-los-ei no blog se forem mais psicodélicos que os de hoje, hohohoho...

domingo, agosto 27, 2006

"É preciso ser absolutamente moderno"

Ou "Como o desgraçado do Rimbaud salvou meu dia".

Hoje eu tive prova do ENEM. Cheguei na sala na qual a faria por volta de 45 minutos antes do exame. Estava meio desanimado. "Será que eu estou preparado, ou estudei bem menos do que deveria?"
Por precaução, trouxe um livro para ler antes da prova. O escolhido foi "Uma Estadia No Inferno", de Rimbaud, que ainda vinha com alguns poemas escolhidos. Comprei tal obra na sexta-feira passada, pois estava curioso para começar a ler Rimbaud. E não me arrependi.
Caramba, ele escreve muito bem. Metáforas não faltaram em sua prosa e poesia - temas como sexo, drogas, loucuras, delírios e, acima de tudo, uma alma libertária não faltaram. Entendi o porquê de tanta adoração ao Simbolismo. Minha mão até tremia nas páginas finais do livro, de tanta empolgação e envolvimento. Me senti renovado e tranqüilo para a prova.
E ela foi fácil e boa de fazer. Envolvia muita interpretação de texto, que é meu forte. Creio que vou obter mais de 70% de aproveitamento. A redação tinha um tema legal ("O poder de transformação da leitura"), e eu a fiz sem dificuldades. Levei um susto minutos depois que terminei a prova e já tinha saído - eu não tinha colocado o título (até porque não havia nenhuma indicação no exame). Meu desespero se dissipou quando um amigo meu que também fez o ENEM me disse que o CESPE e o CESGRANRIO, que elaboraram a prova, não cobram título na redação - o tema já funciona como o mesmo.
Enfim, um dia que tinha tudo para dar errado acabou dando certo. Que bom.

Edit: São 22h05 de 27/08, e eu acabei de gabaritar a minha prova. Acertei 49 das 63 questões, tive 78% de aproveitamento...

sexta-feira, agosto 25, 2006

Good times for a change...

A mudança na fonte não é por acaso. Os 12 dias sem atualizar, também não.
Cansado da melancolia dos últimos 12 meses, provavelmente o período mais intenso e, ao mesmo tempo, tedioso de minha vida, peguei por acaso um livro de Química na quinta-feira passada (16) e tentei estudar. 30 minutos depois, me dei conta de que eu estava vidrado e maravilhado com o fato de que a matéria que eu estava estudando era legal. Sim - eu voltei a gostar de estudar!
Minha mãe disse que é muita arrogância da minha parte dizer, no meio do ano, que estou farto de dar o pior de mim na escola e, agora, retornaria ao Kaio que eu era. Creio que ela não esteja completamente errada, mas é verdade o fato de eu ter recuperado algumas características do meu "velho eu", que existiu (!) entre Setembro de 2003 e Agosto de 2005, como, por exemplo:
- Interesse pelos estudos, principalmente em relação a ler a parte teórica dos conteúdos;
- Otimismo quanto à vida, sem medo de admitir que eu estou tranqüilo e sem problemas sérios;
- Politizado, com uma interpretação pessoal das ideologias, mesmo que pendendo para um certo idealismo;
- Fissurado em Beatles, com suas canções vibrantes, melódicas, alegres e geniais.
- Sem nenhuma inspiração para poemas (é verdade, felicidade e poesia, na minha opinião, são coisas que não combinam);
- Auto-desprezo e paranóia são coisas descartáveis para a minha vida, chego a considerar tolice ter valorizado-os tanto como eu os valorizei nos últimos tempos.

Enfim, eu saí dos "anos pessimistas" e estou na transição entre os "anos idealistas" e os "anos redentores" - sim, uma regressão progressiva, ou uma progressão regressiva, seja lá o que esse trocadilho queira dizer. Em outras palavras, entre Ago/05 e Ago/06, eu estive em uma fase de desconstrução - um Kaio mais cético, irritável, solitário, sensível, recluso, insensato. Eu não fiquei obcecado por bandas soturnas como Joy Division, The Cure e Muse e escritores pessimistas como Schopenhauer, Nietzsche e Orwell por acaso - eles refletiram o que eu sentia naquela época.
Não sou do tipo de pessoa que muda. Eu diria que tenho tendências comportamentais oscilantes. Por exemplo, em uma determinada época de minha vida, minha personalidade tendia a ser x, meus interesses eram y, minhas aspirações eram z. E eu estou voltando a ser o Kaio que eu era antes, com apenas duas ressalvas.
1. Não mais ateu - "livre pensador" talvez seja melhor para definir minhas posições em relação a Deus e religião.
2. Não pretendo resgatar minhas idéias de esquerda, até porque elas não soam mais verossímeis para mim, e as que eu ainda conservo, na verdade, tendiam mais para o liberalismo, como o imposto único e a livre concorrência, que eu defendia mesmo quando era de esquerda.

domingo, agosto 13, 2006

Darks, mas não clichês

Quando eu menos esperava, a raça dos indies me presenteou com uma banda que presta. Ainda bem, já estava cansado daquelas centenas de bandas parecidas entre si.
Estou falando de I Love You But I've Chosen Darkness. O nome (muito bizarro e bacana, por sinal) já indica as intenções deles - canções darks e soturnas. E felizmente, isso não significa "outra bandinha indie que copia The Cure Joy Division, Depeche Mode, etc". Pelo contrário. O Chosen Darkness conseguiu fazer um disco sombrio, mas com várias sacadas interessantes, atmosferas que não caem no lugar-comum. As prováveis influências deles são justamente o B-side do rock inglês dos anos 80 e início dos 90, principalmente o shoegaze. Mesmo assim, eles o fazem sem que isso soe como cópia gratuita.
A primeira faixa, "The Ghost", abre magistralmente o disco (a minha preferida, por enquanto). Em seguida, dois petardos que conciliam acessibilidade com experimentalismo - "According To Plan" e "Lights". Já "Today" e "We Choose Faces" se completam. "Last Ride Together" mantém o bom nível, e a tristeza aumenta com "At Last Is All" e "Long Walk". "Dash" é mais ou menos o que quero fazer no futuro com o Sofisma Burlesco. "Fear Is On Our Side" parece música ambiente, e a faixa final é a louca e grudenta "If It Was Me".
O I Love You But I've Chosen Darkness não é uma banda expecional, que vai mudar o rock, etc, mas fez um disco de estréia competente, e, comparado a "When You Go Out", principal música do EP deles, de 2003 e produzido pelo Spoon, é notável o jeito como eles se desgarraram de rótulos fáceis, como o famigerado indie-nostálgico. Eles provaram que é possível, sim, um som sombrio com personalidade e sem apelar para o joy-divisioniano, o the-cureano ou o depeche-modeano.

segunda-feira, agosto 07, 2006

One Hundred Years...

Pelo visto, entrei definitivamente na pior etapa da vida do ser humano - os anos pessimistas.
Não gosto da divisão tradicional criança / adolescente / adulto / idoso, considero-a mais biológica que psicológica. O Kaionismo (sim, sempre ele) propõe a seguinte classificação:
- Os Anos Instintivos: geralmente dos 0 aos 3 anos, o nome já diz tudo - predominam os instintos animais e a falsa ingenuidade.
- Os Anos Inocentes: toda aquela carga sexual da fase anterior vai se diluindo com o passar do tempo, e os seres humanos passam a desenvolver gradualmente a sua racionalidade e suas noções de mundo.
- Os Anos Curiosos: provavelmente, a época mais feliz de nossas vidas. Ficamos mais sociáveis, o sexo oposto começa a nos despertar uma maior atração (mesmo que seja esta só para amizade), formamos grande parte de nossa personalidade, etc. No meu caso, essa fase acabou aos 10 anos, graças à minha desilusão amorosa, mas a média é até os 11 ou 12.
- Os Anos Incríveis: não me apropriei do nome daquele (ótimo) seriado por acaso. Até os 14, 15 anos, passamos por situações que irão terminar de compor o nosso psíquico. A sexualidade volta a aflorar, há uma certa tendência em buscar tribos e rótulos.
- Os Anos Idealistas: os jovens que tanto anseiam por mudar o mundo, seja pela música, pela política ou mesmo pelo seu jeito de se vestir, estão nessa etapa. Sonhos, esperanças e projetos são constantes por aqui. A minha foi de setembro/03 até novembro/05, com alguns poucos resquícios até abril desse ano. Nesse período, voltei minhas atenções para o Rock, uma literatura mais profunda e o nefasto "socialismo democrático e humanista". Argh.
- Os Anos Pessimistas: "the dream is over". Quando os hippies viraram yuppies, os revolucionários tornaram-se reacionários ou mesmo no momento em que o punk deu uma guinada para o gótico, a desesperança entra em cena. O pessimismo não tem hora para chegar, mas ele atacará quando todos os sonhos juvenis do indivíduo estiverem falidos. No meu caso, ele veio um pouco mais cedo devido a: 1. Descrença crescente quanto à política; 2. A falta de perspectivas quanto ao meu futuro; 3. Solidão e ceticismo quanto ao amor. Eu poderia ser mais esperto e escolher alternativas mais fáceis, como "me vender" ao way of life do capitalsimo, me "filiar" a alguma tribo urbana ou mesmo ser um playboy fútil. Infelizmente, preferi ser um egoísta contraditório e paranóico, viciado em problemas imaginários e inexistentes. Meu destino?
- Os Anos Indefiníveis: Eis meu futuro. Descrição em aberto.
- Os Anos Redentores: se eu escolhesse a tal "alternativa fácil", poderia virar um adulto bem-sucedido. Talvez teria grande sucesso financeiro, ou seria um membro contente da classe média, ou mesmo seria feliz com pouco ou quase nada. Aliás, essa etapa da vida é duradoura, e acabará quando a sua vida for arruinada pelo divórcio, filhos problemáticos, dívidas sem fim e desemprego (ou emprego tedioso).
- Os Anos Decadentes: após o fracasso, você irá para essa etapa, estando senil ou não. Parabéns, você está no fundo do poço.
- Os Anos Tranqüilos: agora, se você for uma pessoa iluminada [risos], e manter uma certa estabilidade nos Anos Redentores, desfrutará, obviamente, de uma velhice confortável. Sortudo (a)...