domingo, agosto 13, 2006

Darks, mas não clichês

Quando eu menos esperava, a raça dos indies me presenteou com uma banda que presta. Ainda bem, já estava cansado daquelas centenas de bandas parecidas entre si.
Estou falando de I Love You But I've Chosen Darkness. O nome (muito bizarro e bacana, por sinal) já indica as intenções deles - canções darks e soturnas. E felizmente, isso não significa "outra bandinha indie que copia The Cure Joy Division, Depeche Mode, etc". Pelo contrário. O Chosen Darkness conseguiu fazer um disco sombrio, mas com várias sacadas interessantes, atmosferas que não caem no lugar-comum. As prováveis influências deles são justamente o B-side do rock inglês dos anos 80 e início dos 90, principalmente o shoegaze. Mesmo assim, eles o fazem sem que isso soe como cópia gratuita.
A primeira faixa, "The Ghost", abre magistralmente o disco (a minha preferida, por enquanto). Em seguida, dois petardos que conciliam acessibilidade com experimentalismo - "According To Plan" e "Lights". Já "Today" e "We Choose Faces" se completam. "Last Ride Together" mantém o bom nível, e a tristeza aumenta com "At Last Is All" e "Long Walk". "Dash" é mais ou menos o que quero fazer no futuro com o Sofisma Burlesco. "Fear Is On Our Side" parece música ambiente, e a faixa final é a louca e grudenta "If It Was Me".
O I Love You But I've Chosen Darkness não é uma banda expecional, que vai mudar o rock, etc, mas fez um disco de estréia competente, e, comparado a "When You Go Out", principal música do EP deles, de 2003 e produzido pelo Spoon, é notável o jeito como eles se desgarraram de rótulos fáceis, como o famigerado indie-nostálgico. Eles provaram que é possível, sim, um som sombrio com personalidade e sem apelar para o joy-divisioniano, o the-cureano ou o depeche-modeano.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Tb gostei do álbum deles, Kaio. Muito superior ao Se Wants Revenge. Teu blog tb é legal. Tudo de bom. Se puder dá um saque no Urge.

quinta-feira, 31 agosto, 2006  

Postar um comentário

<< Home